Flutuações térmicas podem comprometer certas funções fisiológicas de defesa do organismo, elevando a incidência de infecções respiratórias. Essa advertência vem do otorrinolaringologista Luciano Gregório, que também é diretor da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF).
“É como se as nossas defesas apresentassem uma brecha, permitindo que patógenos virais se instalem e causem infecções no nariz”, detalhou ele à Agência Brasil.
A instabilidade climática representa um risco particular para indivíduos com rinite não alérgica. “Variações de temperatura, a presença de fumaça ou perfumes são fatores que podem provocar o bloqueio nasal”, afirmou.
Conforme o especialista, a oscilação térmica não apenas prejudica as defesas do organismo, alterando sua fisiologia, mas também é capaz de influenciar impulsos nervosos, resultando em congestão nasal para alguns pacientes. Em espaços confinados, a combinação de ar seco e baixas temperaturas pode intensificar tanto a rinite (inflamação da mucosa nasal) quanto a sinusite (inflamação dos seios paranasais), agravando os sintomas. Siga o canal da Agência Brasil no WhatsApp
Medidas preventivas
Em períodos de clima mais frio e volátil, algumas práticas podem beneficiar a saúde respiratória. Luciano Gregório enfatiza a importância da ingestão de água. “A hidratação adequada é benéfica de várias formas; a desidratação, por outro lado, pode comprometer a saúde nasal”, explicou.
O profissional de saúde também esclarece que um ambiente com umidade controlada favorece as condições nasais, porém, alerta que o excesso de umidade pode propiciar o surgimento de mofo e ácaros, criando um novo problema.
Uma das estratégias recomendadas para preservar a saúde do nariz é a realização de lavagens nasais com soro fisiológico, indicadas de uma a quatro vezes por dia.
“Atualmente, dispomos de uma variedade de dispositivos para lavagem”, afirmou. Ele mencionou garrafinhas de compressão, seringas específicas e a solução salina isotônica, conhecida como soro fisiológico 0,9%.
“Esse procedimento auxilia na remoção de alérgenos, poeira e partículas, fluidifica as secreções nasais, otimiza a higiene do nariz e, simultaneamente, diminui os mediadores inflamatórios presentes na mucosa nasal”, detalhou.
Para indivíduos com rinite vasomotora, que se agrava com as variações de temperatura, a exposição a água muito quente ou muito fria pode ativar mecanismos de obstrução e vasorreatividade, intensificando a congestão. “No entanto, a limpeza nasal com soro e a umidificação de ambientes secos podem trazer um alívio significativo”, ressaltou.
Ambientes específicos
Para lidar com o ar excessivamente seco, especialmente em locais como aviões, o diretor da ABORL-CCF mencionou a existência de géis de hidratação nasal. Esses produtos, disponíveis em farmácias, podem ser aplicados diretamente nas narinas.
“As soluções de lavagem nasal eliminam agentes inflamatórios e alérgenos da cavidade nasal, promovendo uma limpeza profunda e aumentando a fluidificação das fossas nasais. Contudo, elas não possuem função hidratante. A hidratação da narina é proporcionada pelos géis à base de soro”, diferenciou.
Outras recomendações
O otorrinolaringologista Bruno Borges de Carvalho Barros salienta que, diante da queda das temperaturas, o nariz enfrenta dificuldades para aquecer e umidificar o ar inalado. Essa falha compromete a defesa natural do sistema respiratório, tornando-o mais vulnerável a infecções e processos inflamatórios.
Nesse contexto, o especialista indica que as enfermidades mais frequentes incluem gripes, resfriados, sinusites, exacerbações de rinite alérgica e até laringites, com o risco de progressão para condições mais sérias em indivíduos com baixa imunidade.
Barros complementou com outras precauções consideradas cruciais para a saúde respiratória em dias de frio intenso. Além da hidratação e da aplicação de soro fisiológico nasal, ele aconselha evitar locais fechados e com grande concentração de pessoas, pois nesses ambientes a propagação de vírus respiratórios é mais elevada.
Adicionalmente, é fundamental manter uma rotina de sono adequada e uma alimentação balanceada, visto que um organismo descansado e bem nutrido reage de forma mais eficaz às alterações do clima.
O médico fez um alerta especial para crianças, idosos e indivíduos com doenças respiratórias crônicas, como rinite, asma e Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), que necessitam de atenção redobrada. “Diante de qualquer indício de agravamento, como tosse persistente, chiado no peito ou febre, é imprescindível buscar avaliação médica”, concluiu.

Comentários
Para comentar realize o login em sua conta!
Login Cadastre-se