A Caixa Econômica Federal reportou um lucro líquido recorrente de R$ 3,5 bilhões no primeiro trimestre de 2026, representando uma diminuição de 34,4% em comparação com o mesmo intervalo do ano anterior. O balanço, divulgado nesta quinta-feira (14), revela que esse resultado foi fortemente influenciado pelo substancial incremento das provisões destinadas a cobrir perdas com operações de crédito, as quais mais do que duplicaram no período, em virtude das recentes diretrizes regulatórias do Banco Central (BC) para a gestão do risco de calote.
Conforme explicado pela instituição financeira, as provisões agora englobam as perdas projetadas em suas carteiras de crédito, e não somente aquelas que já se concretizaram. Essa alteração resultou no aumento das reservas do banco para eventuais inadimplências, impactando negativamente o desempenho do trimestre.
A despeito da retração no lucro, a Caixa conseguiu expandir sua carteira de crédito, impulsionada sobretudo pelo financiamento habitacional, área em que a instituição mantém sua liderança nacional.
Os principais indicadores financeiros do período incluem:
- Lucro líquido recorrente: R$ 3,5 bilhões (redução de 34,4% em 12 meses e acréscimo de 25,4% frente a dezembro);
- Provisão para perdas: R$ 6,5 bilhões (aumento de 225% em 12 meses);
- Índice de inadimplência: 3,71% (elevação de 1,22 ponto percentual em 12 meses);
No que tange à carteira de crédito, os dados são:
- Carteira total de crédito: R$ 1,41 trilhão (expansão de 11,3% em 12 meses e 2,3% em relação a dezembro);
- Crédito imobiliário: R$ 966,2 bilhões (crescimento de 13,9% em 12 meses);
- Participação da Caixa no segmento imobiliário: 68%.
Crédito por segmento
Para o segmento de Pessoa Física (PF):
- Carteira PF: R$ 154,9 bilhões (incremento de 10,4% em 12 meses);
- Empréstimos consignados: R$ 114,2 bilhões;
- A representatividade do consignado na carteira PF: 73,7%.
No segmento de Pessoa Jurídica (PJ):
- Carteira PJ: R$ 114,3 bilhões (expansão de 8,8% em 12 meses).
No agronegócio:
- O saldo da carteira: R$ 64,9 bilhões (crescimento de 2,2% em 12 meses).
Em relação às receitas e despesas:
- Margem financeira: R$ 18,3 bilhões (avanço de 11,8% em 12 meses);
- Receita proveniente de serviços: R$ 7,4 bilhões (alta de 12,5% em 12 meses);
- Despesas operacionais: R$ 11,5 bilhões (elevação de 6% em 12 meses).
A estrutura financeira apresentou os seguintes dados:
- Captações totais: R$ 2 trilhões (incremento de 13,7% em 12 meses);
- Patrimônio líquido: R$ 153,2 bilhões (aumento de 8,5% em 12 meses);
- Ativos totais: R$ 2,4 trilhões (expansão de 12,9% em 12 meses).
Posicionamento da Caixa
Por meio de um comunicado, a Caixa esclareceu que o incremento nas provisões é reflexo, em grande parte, da transição regulatória imposta pelo Banco Central. A instituição financeira ressaltou que esses dados não indicam uma degradação direta na qualidade de sua carteira de crédito.
Adicionalmente, o banco enfatizou que continua expandindo suas operações de crédito, com foco especial no financiamento habitacional, setor que contabilizou R$ 64,2 bilhões em novas contratações durante o primeiro trimestre.

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