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Segunda-feira, 18 de Maio 2026
Pacientes com fibromialgia mobilizam-se por tratamento e direitos

Saúde

Pacientes com fibromialgia mobilizam-se por tratamento e direitos

Na capital federal, um evento no Parque da Cidade ofereceu atividades como acupuntura, fisioterapia e apoio psicológico para conscientizar sobre a condição.

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A fibromialgia esteve no centro de diversas ações em várias localidades no último domingo (17), com o objetivo de sensibilizar a população sobre a natureza da síndrome e pressionar por medidas que assegurem direitos e um tratamento apropriado dentro do Sistema Único de Saúde (SUS).

Na capital federal, a iniciativa teve lugar no Parque da Cidade, onde os participantes puderam usufruir de sessões de acupuntura, liberação miofascial, além de receberem orientações de fisioterapia, suporte psicológico e participarem de palestras informativas sobre a condição.

Definida como uma síndrome crônica, a fibromialgia manifesta-se por dores generalizadas nos músculos e articulações, frequentemente associadas a um cansaço extremo, problemas de sono, falhas de concentração e variações de humor. Apesar de não causar inflamações ou alterações físicas aparentes, impacta profundamente a rotina dos indivíduos, comprometendo suas atividades diárias e sua progressão profissional.

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Ana Dantas, servidora pública e uma das idealizadoras do evento, esclarece que a campanha em nível nacional visa amplificar a visibilidade da doença e reivindicar os direitos das pessoas que convivem com ela.

"É uma enfermidade que, por ser invisível, muitas vezes não é reconhecida, embora esteja presente no corpo", afirmou.

Nos últimos anos, o Brasil tem demonstrado um maior reconhecimento estatal em relação aos indivíduos com fibromialgia. Uma legislação federal promulgada em 2023 instituiu diretrizes para o atendimento a esses pacientes no SUS, contemplando a oferta de cuidados multidisciplinares, o fomento à disseminação de dados sobre a condição e o incentivo à qualificação de profissionais da saúde. Contudo, o acesso efetivo a diagnósticos e tratamentos especializados pelo SUS ainda permanece um desafio.

Esse arcabouço legal assegura aos pacientes os mesmos direitos concedidos às Pessoas com Deficiência (PcD), condicionado à aprovação em uma avaliação biopsicossocial. Além disso, abre caminho para a solicitação de auxílio por incapacidade temporária (o antigo auxílio-doença), aposentadoria por invalidez e o Benefício de Prestação Continuada (BPC).

"Nossa iniciativa visa impulsionar a criação de políticas públicas e alinhar as necessidades da comunidade fibromiálgica com os serviços oferecidos pelo SUS", complementa Ana Dantas.

A servidora pública, com 45 anos de idade, recebeu o diagnóstico da doença há pouco mais de um ano e descreve as restrições que a condição lhe impõe.

"Atividades que antes levavam cerca de 20 minutos agora demandam de três a quatro horas para serem concluídas. Tudo se torna mais lento, há problemas de memória, esquecemos as coisas com facilidade, somado à dor que se espalha por todo o corpo", detalha.

Embora seja mais prevalente em mulheres na faixa etária dos 30 aos 60 anos, a fibromialgia pode afetar indivíduos de qualquer idade ou gênero. As causas precisas ainda não foram completamente elucidadas, mas especialistas sugerem que a síndrome está ligada a disfunções no sistema nervoso central, resultando em uma amplificação da sensação de dor. Elementos como estresse crônico, traumas físicos ou emocionais, ansiedade, depressão e fatores genéticos podem estar envolvidos no seu desenvolvimento.

Sintomas e tratamento

Os sintomas mais comuns incluem dores contínuas por mais de três meses, hipersensibilidade ao toque, fadiga persistente, sono de má qualidade, rigidez muscular e episódios de "névoa cerebral" — caracterizada por falhas de memória e concentração. Pacientes também podem experimentar dores de cabeça, síndrome do intestino irritável e uma maior sensibilidade a sons, luzes e variações térmicas. O diagnóstico é estabelecido clinicamente, por meio da análise médica e da exclusão de outras condições com manifestações similares.

O manejo da fibromialgia geralmente abrange uma abordagem multifacetada. Fármacos podem ser empregados para atenuar a dor, otimizar o sono e tratar condições correlatas, como a ansiedade e a depressão. Adicionalmente, a prática constante de atividades físicas — com destaque para caminhadas, hidroginástica e alongamentos — é considerada crucial para aliviar os sintomas. Terapias psicológicas, sessões de fisioterapia, métodos de relaxamento e ajustes no estilo de vida também figuram entre as recomendações principais. Embora não exista uma cura definitiva, a fibromialgia pode ser gerenciada, possibilitando que muitos pacientes preservem uma vida ativa e uma boa qualidade de vida.

"No processo de enfrentamento da doença, promovemos a conscientização, o que chamamos de psicoeducação, sobre todos os aspectos e limitações da condição. Isso é vital, pois a fibromialgia impacta a autoestima de muitas mulheres, que se sentem severamente limitadas. Portanto, é essencial que elas aprendam a lidar com a situação e recebam o apoio necessário", explica a psicóloga Mariana Avelar, que atende pacientes com fibromialgia.

A baixa notoriedade da enfermidade também se reflete na carência de estatísticas precisas sobre a quantidade de indivíduos afetados pela fibromialgia no território nacional.

"Na realidade, mesmo com a existência da lei, o acesso a benefícios e direitos permanece excessivamente burocrático. Muitos profissionais da saúde, inclusive, desconhecem essa legislação e a melhor forma de abordar a questão. É fundamental que a lei seja efetivamente aplicada", ressalta a enfermeira Flávia Lacerda, que esteve presente no evento e possui experiência com pacientes fibromiálgicos.

FONTE/CRÉDITOS: Pedro Rafael Vilela - Repórter da Agência Brasil
FONTE/CRÉDITOS (IMAGEM DE CAPA): © Valter Campanato/Agência Brasil

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