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Segunda-feira, 11 de Maio 2026

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Desinformação sobre o Projeto de Lei da Misoginia se intensifica nas redes, aponta pesquisa

A proposta, se mantida na Câmara, integrará a "condição de mulher" à Lei 7.716/1989.

Sou do RN
Por Sou do RN
Desinformação sobre o Projeto de Lei da Misoginia se intensifica nas redes, aponta pesquisa
© Paulo Pinto/Agência Brasil
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O Projeto de Lei da Misoginia tornou-se o epicentro de uma campanha de desinformação nas plataformas digitais, conforme revelado por um estudo do Observatório Lupa. A pesquisa aponta que essa ofensiva, orquestrada por políticos de direita, utilizou narrativas enganosas, teorias da conspiração e material gerado por inteligência artificial para desacreditar o projeto aprovado no Senado em março.

Entre 24 de março e 30 de abril de 2026, os analistas compilaram mais de 289 mil postagens sobre o assunto no X. Adicionalmente, foram examinadas 6,3 mil publicações no Facebook, 2,9 mil no Instagram e mil no Threads.

Com base nessa vasta quantidade de dados, o observatório detectou "momentos de alta desinformação, linhas narrativas predominantes e comportamentos específicos" nas mídias sociais. O projeto em questão no Congresso Nacional é o PL 896/2023, que conceitua misoginia como "a manifestação de ódio ou aversão às mulheres".

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Se aprovado na Câmara dos Deputados sem modificações, o texto inserirá a "condição de mulher" na Lei do Racismo (Lei 7.716/1989), estipulando penas de dois a cinco anos de reclusão, além de multa, para atos classificados como misóginos.

A Lupa indicou que o ápice da mobilização da campanha de desinformação se deu em 25 de março, um dia após a aprovação da proposta no Senado, impulsionado por um vídeo divulgado pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG).

O legislador vinculou ao Projeto de Lei da Misoginia fragmentos de outra proposição, o PL 4224/2024, de autoria da senadora Ana Paula Lobato, que abordava a Política Nacional de Combate à Misoginia, mas que não integrava o texto chancelado pelo Senado.

Conforme a análise, a postagem obteve no mínimo 751 mil visualizações em apenas um dia. Mais tarde, o vídeo foi removido e novamente publicado, desta vez sem o segmento referente ao outro projeto.

A pesquisa também ressalta que uma das narrativas mais difundidas nas plataformas digitais alegava que a proposta limitaria a liberdade de expressão e poderia servir para "perseguir a direita".

Uma outra corrente persistente de desinformação sugeria que questionar uma mulher sobre a Tensão Pré-Menstrual (TPM) poderia resultar em detenção.

"As postagens de maior alcance sobre o Projeto de Lei da Misoginia têm capitalizado, principalmente, o medo como ferramenta de engajamento", declara o relatório.

De acordo com os investigadores, informações inverídicas insinuavam que a proposta resultaria em "demissões em larga escala" de mulheres ou que criminalizaria passagens bíblicas. O estudo revelou o emprego de inteligência artificial para produzir vídeos manipulados sobre as alegadas repercussões do projeto. Entre os exemplos, mencionam-se publicações que afirmavam que empresários estariam demitindo funcionárias para se precaverem contra eventuais ações judiciais decorrentes da futura lei.

Entre as figuras mais influentes na propagação desses conteúdos, destacam-se, além de Nikolas Ferreira, o senador Flávio Bolsonaro (PL), o vereador de São Paulo Lucas Pavanato (PL), o analista político Caio Coppola e a influenciadora Babi Mendes. O documento aponta para a ascensão de termos ligados à cultura misógina "redpill", que apresenta o projeto como um risco aos homens.

Igualmente, foram notadas referências frequentes a aplicativos de transporte, com um tom irônico, insinuando o receio de falsas acusações em interações diárias.

Na visão dos pesquisadores, as publicações desconsideram um aspecto fundamental do projeto: a misoginia, conforme o alcance da proposta, refere-se a condutas discriminatórias que provoquem "constrangimento, humilhação, temor ou exposição inadequada" em virtude do gênero.

"Ao negligenciar esse contexto, as postagens deturpam o debate e intensificam a desinformação", finaliza o estudo.

FONTE/CRÉDITOS: Rafael Cardoso - Repórter da Agência Brasil

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