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Quinta-feira, 14 de Maio 2026

Direitos Humanos

Conexão deficiente e ausência de identificação impulsionam a desinformação

Pesquisa da Coalizão de Mídias Periféricas, Faveladas, Quilombolas e Indígenas revela obstáculos para o acesso à informação em comunidades marginalizadas no Brasil.

Sou do RN
Por Sou do RN
Conexão deficiente e ausência de identificação impulsionam a desinformação
© Bruno Peres/Agência Brasil
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O acesso limitado à internet ou a qualidade precária da conexão continuam sendo um dos maiores desafios para a população se manter atualizada, conforme apontado pelo estudo "Dos territórios indígenas às periferias: retratos da desinformação e do consumo de notícias no Brasil", divulgado na quarta-feira (13). Essa desconexão entre o público e as fontes de informação contribui para o afastamento das notícias.

"Além de aprimorar formatos ou expandir o alcance, o verdadeiro desafio reside em transformar a abordagem: migrar de um jornalismo que meramente 'fala' para um que ouve e cocria", destacou a pesquisa, conduzida pela Coalizão de Mídias Periféricas, Faveladas, Quilombolas e Indígenas.

O levantamento ouviu aproximadamente 1.500 indivíduos em Santarém (PA), Recife (PE) e São Paulo (SP), apresentando 16 sugestões para robustecer o jornalismo, combater a desinformação e promover a democratização da comunicação.

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Para além da dificuldade de conexão, apontada por um quarto dos participantes, a investigação revela que moradores de áreas periféricas encontram obstáculos para discernir informações falsas (17%) e associam a escassez de tempo (16%) à complicação em escolher conteúdos fidedignos.

Indivíduos com rotinas extenuantes e múltiplas responsabilidades, como é o caso de diversas mulheres, dedicam menos tempo à reflexão sobre o conteúdo que consomem, conforme análise do estudo.

Diante desse panorama, o estudo da Coalizão ressalta a importância do jornalismo comunitário, que goza da credibilidade da população e compreende as especificidades dos territórios, conforme esclareceu a coordenadora da pesquisa e diretora da Coalizão, Thais Siqueira.

De acordo com o levantamento, a maioria dos entrevistados busca notícias para compreender os acontecimentos em seu próprio bairro (17%), seguida pela necessidade de tomar decisões (14%), compartilhar informações (12%) e ter tópicos para conversas (11%).

Com esse propósito, os canais mais utilizados são os aplicativos de mensagens e as plataformas de redes sociais, com especial relevância para o WhatsApp e o Instagram.

Variações regionais

Contudo, observam-se distinções regionais. Enquanto em Recife e São Paulo há uma maior variedade de plataformas, incluindo sites de notícias e redes sociais, em Santarém predominam o WhatsApp, a televisão aberta e o rádio. A pesquisa enfatiza que essa realidade sublinha a importância das mídias convencionais em locais com acesso digital limitado.

O aparelho mais utilizado pelos participantes do estudo é o telefone celular, seguido pela televisão, computador e rádio. As mídias tradicionais, juntamente com sites de notícias, além de indivíduos conhecidos, educadores e líderes comunitários, foram identificadas na pesquisa como as fontes mais fidedignas para a disseminação de informações verídicas.

Os influenciadores digitais, por sua vez, aparecem nas últimas posições, atrás até mesmo dos grupos de WhatsApp, o que contraria algumas expectativas.

Estratégias contra a desinformação

Apesar de as mídias convencionais serem as mais acessíveis e dignas de confiança, seu uso não assegura, por si só, o combate eficaz à desinformação. Segundo o estudo, conteúdos gerados localmente, que valorizam os conhecimentos, a diversidade de expressões e "as abordagens coletivas de construção e validação do saber", obtêm maior engajamento do público.

Esse contexto, segundo Thais, cria uma chance valiosa para valorizar as dinâmicas e particularidades locais.

"A credibilidade é construída sobre relações, vivências e referências locais, e o jornalismo deve interagir com essa realidade, em vez de negligenciá-la", resume a diretora da Coalizão.

Thaís aponta que a pesquisa demonstra que o enfrentamento à desinformação vai além da simples verificação de fatos. "Ele demanda uma reestruturação e envolve o reconhecimento e o financiamento de sistemas de comunicação próprios", declarou.

Esta é uma das dezesseis recomendações do levantamento, que também propõe a criação de informações em formatos de áudio, vídeos curtos e materiais facilmente compartilháveis, visando facilitar o acesso para aqueles que não possuem pacotes de dados de internet e acessam conteúdos em seus celulares somente por meio de plataformas específicas.

Metodologia do levantamento

Para alcançar os resultados expostos, a Coalizão de Mídias treinou pesquisadores, jornalistas e comunicadores atuantes nas comunidades. Em Recife, até mesmo artistas de rua e jovens mães colaboraram na aplicação dos questionários. A coleta e análise dos dados seguiram a metodologia desenvolvida pelo Observatório Ibira30 e pela Fundação Tide Setubal.

A Coalizão de Mídias é composta por diversas iniciativas de cinco estados brasileiros, incluindo: Periferia em Movimento (SP), Desenrola e Não Me Enrola (SP), A Terceira Margem da Rua (SP), Frente de Mobilização da Maré (RJ), Fala Roça (RJ), Rede Tumulto (PE), Mojubá Mídias e Conexões (BA) e Coletivo Jovem Tapajônico (PA).

FONTE/CRÉDITOS: Isabela Vieira - Repórter da Agência Brasil

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