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Sexta-feira, 19 de Junho 2026
Demanda crescente leva SUS a expandir teleatendimento para jogadores compulsivos

Saúde

Demanda crescente leva SUS a expandir teleatendimento para jogadores compulsivos

Serviço de apoio psicológico remoto do Ministério da Saúde registra alta procura e recebe novos investimentos para ampliar a capacidade.

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O Ministério da Saúde planeja ampliar, ainda neste ano, os serviços de atendimento remoto, via telefone e videochamadas, destinados a indivíduos que enfrentam problemas relacionados à dependência em jogos de apostas.

Conforme apuração da Agência Brasil, a estratégia atual de teleatendimento será fortalecida por intermédio da Agência Brasileira de Apoio à Gestão do Sistema Único de Saúde (AgSUS). Esta entidade será responsável por contratar empresas especializadas, visando expandir a assistência gratuita oferecida a jogadores compulsivos.

O serviço, focado em questões de jogo de apostas, foi inaugurado em março deste ano, em colaboração com o Hospital Sírio-Libanês. Em apenas três meses de funcionamento, a iniciativa já cadastrou 6.912 usuários.

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A expansão do teleatendimento demandará um investimento de cerca de R$ 70 milhões até o final deste ano. Esta medida faz parte do plano de ações implementado pelo ministério, que abrange prevenção, qualificação profissional e ampliação do acesso da população aos serviços da Rede de Atenção Psicossocial (Raps), com o objetivo de intensificar o suporte a pessoas com problemas relacionados a jogos de apostas.

A pasta também destinará R$ 6 milhões para financiar uma pesquisa nacional inédita. O estudo buscará compreender como os jogos e apostas impactam a saúde dos brasileiros, identificando os grupos mais afetados e os principais riscos associados a essa prática.

Com base nessas informações, o governo terá melhores condições para implementar ações e políticas públicas de atendimento e prevenção no âmbito do SUS.

Financiamento

Parte dos recursos necessários para a execução do plano provirá dos R$ 45,7 milhões (em valores não corrigidos) que a pasta recebeu em 2025, a título de destinação social das bets.

O montante total repassado ao Ministério da Saúde no ano passado corresponde a 1% do Produto da Arrecadação de tributos pagos pelas empresas de apostas e pelos apostadores.

Em 2025, o Produto da Arrecadação totalizou R$ 4,5 bilhões e foi distribuído entre áreas como saúde (1%), educação (10%), turismo (28%), esportes (36%), segurança pública (13,6%), seguridade social (10%) e outras destinações (1,4%), conforme os percentuais estabelecidos na Lei nº 14.790, de 2023.

De acordo com a legislação, todo o dinheiro do Produto da Arrecadação destinado ao Ministério da Saúde deve ser empregado em medidas de prevenção, controle e mitigação dos danos sociais advindos da prática de jogos.

Questionado pela reportagem da Agência Brasil se os R$ 45,7 milhões seriam suficientes para cobrir os gastos adicionais do SUS com o aumento da demanda por atendimentos a pessoas com problemas de jogo, o ministério respondeu que não consegue mensurar o custo dos atendimentos específicos. Isso se deve ao fato de que são prestados em conjunto com outros serviços de média e alta complexidade da Rede de Atenção Psicossocial (Raps) que, somente em 2025, custaram aproximadamente R$ 2,5 bilhões.

Mesmo assim, o ministério assegurou que “a destinação social representa uma fonte relevante de financiamento, complementada com recursos do orçamento próprio da pasta”.

Acesso aos serviços

Atualmente, para ter acesso ao serviço de teleatendimento em saúde mental do SUS, o interessado deve se cadastrar por meio do aplicativo Meu SUS Digital. Em seguida, para utilizar o serviço, é preciso baixar o aplicativo, disponível gratuitamente nas lojas Android, iOS ou na versão web, e criar uma conta Gov.br ou usar uma já cadastrada.

O Meu SUS Digital também oferece conteúdos informativos sobre sinais de alerta, prevenção e o impacto dos jogos na saúde mental.

A plataforma disponibiliza um autoteste validado por especialistas. Se, ao responder o questionário, o usuário alcançar um resultado indicativo de risco moderado ou elevado, será automaticamente encaminhado para o teleatendimento.

Em casos de menor risco, a pessoa será orientada a procurar apoio qualificado em Centros de Atenção Psicossocial (Caps) ou em Unidades Básicas de Saúde (UBS).

A Ouvidoria do SUS também está treinada e preparada para oferecer orientações sobre o tema. Os profissionais atendem pelo telefone 136, por teleatendimento, via formulário, WhatsApp ou chatbot no site do Ministério da Saúde. Todas as informações seguem as normas da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

Contexto e iniciativas

A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece os problemas com jogos de apostas como um comportamento potencialmente prejudicial à saúde mental, com associação direta à ansiedade, à depressão, a outros comportamentos compulsivos e ao risco aumentado de suicídio e autolesão.

No Brasil, o número de atendimentos pelo SUS de casos de jogo patológico e de mania de jogo e aposta aumentou 104% entre janeiro de 2018 e maio de 2025.

Do total de 10.553 ocorrências atendidas no período, 4.316 foram ambulatoriais e 6.237 na Atenção Primária à Saúde, com alta prevalência entre homens e pessoas entre 20 e 49 anos – ainda que o crescimento do número de casos envolvendo jovens chame a atenção de especialistas.

O problema já suscitou uma série de iniciativas públicas. Em dezembro de 2025, por exemplo, o governo federal lançou a Plataforma Centralizada de Autoexclusão, ferramenta que permite aos interessados bloquear o próprio acesso a todos os sites de apostas autorizados a funcionar no país.

Até o fim de maio, mais de meio milhão de pessoas já haviam recorrido à ferramenta.

Em janeiro deste ano, o Ministério da Saúde disponibilizou o Guia de Cuidado para Pessoas com Problemas Relacionados a Jogos de Apostas, com o objetivo de orientar o acolhimento, o acompanhamento e o tratamento de pessoas afetadas por jogos e apostas. O material pode ser acessado no site do ministério.

Nesta sexta-feira (19), o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, assinou um decreto (nº 13.033) que visa a reforçar o combate ao mercado ilegal de apostas. Entre outras medidas, o decreto estabelece que o dinheiro confiscado de bets ilegais poderá ser utilizado no combate ao crime organizado.

FONTE/CRÉDITOS: Alex Rodrigues - Repórter da Agência Brasil
FONTE/CRÉDITOS (IMAGEM DE CAPA): © Tânia Rêgo/Agência Brasil

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