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Quarta-feira, 20 de Maio 2026
Mercado financeiro eleva projeção de inflação para 4,89% neste ano

Economia

Mercado financeiro eleva projeção de inflação para 4,89% neste ano

A previsão para 2027 permaneceu em 4%, enquanto as estimativas para 2028 e 2029 são de 3,64% e 3,5%, respectivamente.

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A expectativa do mercado financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o indicador oficial da inflação no Brasil, foi ajustada de 4,86% para 4,89% para o ano corrente. Essa estimativa consta no Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (4), um levantamento semanal do Banco Central (BC) que compila as projeções de instituições financeiras para os principais índices econômicos.

Em meio às tensões no Oriente Médio, que exercem pressão sobre os preços dos combustíveis e, consequentemente, sobre a inflação, a projeção para o IPCA deste ano foi elevada pela oitava semana consecutiva, ultrapassando o limite superior da meta inflacionária estabelecida pelo BC. Definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), a meta é de 3%, com uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual, o que significa que o teto é de 4,5% e o piso é de 1,5%.

No mês de março, o aumento dos custos em setores como transportes e alimentação resultou em uma inflação oficial de 0,88% – superior aos 0,7% registrados em fevereiro. O IPCA acumulado nos últimos 12 meses atingiu 4,14%, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

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Para o ano de 2027, a projeção inflacionária foi mantida em 4%. Já para 2028 e 2029, as estimativas apontam para 3,64% e 3,5%, respectivamente.

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Taxa Selic

Para atingir a meta de inflação, o Banco Central utiliza como principal ferramenta a taxa básica de juros, a Selic, atualmente fixada em 14,5% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do BC. Em sua última reunião, na semana passada, o colegiado decidiu por unanimidade reduzir a Selic em 0,25 ponto percentual, marcando o segundo corte consecutivo, apesar das preocupações geradas pelo conflito no Oriente Médio.

Entre junho de 2025 e março deste ano, a Selic permaneceu em 15% ao ano, o patamar mais alto em quase duas décadas. O Copom voltou a cortar os juros na reunião anterior, em um cenário de desaceleração da inflação. Contudo, a guerra no Oriente Médio, que se manifestou no aumento dos preços de combustíveis e alimentos, dificulta o trabalho do comitê.

Em comunicado, o colegiado não ofereceu indícios sobre a futura evolução dos juros. O texto informou que a situação do conflito e os possíveis impactos de seu prolongamento na inflação estão sendo monitorados.

O próximo encontro do Copom para definir a Selic está agendado para os dias 16 e 17 de junho.

Nesta edição do Focus, a projeção dos analistas de mercado para a taxa básica de juros até o final de 2026 permaneceu em 13% ao ano. Para 2027 e 2028, a expectativa é que a Selic seja reduzida para 11% ao ano e 10% ao ano, respectivamente. Em 2029, a taxa deve se manter em 10% ao ano.

Quando o Copom eleva a Selic, o objetivo é conter a demanda aquecida, o que influencia os preços, pois juros mais altos tornam o crédito mais caro e incentivam a poupança. Dessa forma, taxas mais elevadas também podem dificultar a expansão da economia.

Os bancos, por sua vez, consideram outros fatores ao determinar os juros cobrados dos consumidores, como o risco de inadimplência, a margem de lucro e as despesas administrativas.

Quando a Taxa Selic é reduzida, a tendência é que o crédito se torne mais acessível, estimulando a produção e o consumo, o que pode diminuir o controle sobre a inflação e impulsionar a atividade econômica.

PIB e câmbio

Nesta edição do boletim do Banco Central, a estimativa das instituições financeiras para o crescimento da economia brasileira neste ano foi mantida em 1,85%.

Para 2027, a projeção para o Produto Interno Bruto (PIB), que representa a soma de todos os bens e serviços produzidos no país, foi revisada de 1,8% para 1,75%. Para 2028 e 2029, o mercado financeiro prevê uma expansão do PIB de 2% para ambos os anos.

Em 2025, a economia brasileira cresceu 2,3%, conforme dados do IBGE. Com expansão em todos os setores e um destaque para a agropecuária, esse resultado representa o quinto ano consecutivo de crescimento.

No Focus desta semana, a previsão para a cotação do dólar está em R$ 5,25 para o fechamento deste ano. Para o final de 2027, a estimativa é que a moeda norte-americana esteja em R$ 5,30.

FONTE/CRÉDITOS: Andreia Verdélio – Repórter da Agência Brasil
FONTE/CRÉDITOS (IMAGEM DE CAPA): © Joédson Alves/Agência Brasil

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