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Quarta-feira, 06 de Maio 2026

Economia

Copom age com prudência em meio a tensões globais e projeções de inflação

Banco Central destaca que o esforço para conter a inflação é maior quando as expectativas do mercado se desvinculam da meta.

Sou do RN
Por Sou do RN
Copom age com prudência em meio a tensões globais e projeções de inflação
© Marcello Casal JrAgência Brasil
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A persistência de incertezas relacionadas aos conflitos geopolíticos no Oriente Médio, somada às projeções de uma inflação elevada por um período estendido, motivou o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) a prosseguir com cautela na diminuição da taxa Selic, o principal indicador de juros do país.

Esses detalhes constam na ata do encontro do Copom realizado na semana anterior, tornada pública nesta terça-feira (5). Durante a reunião, o comitê decidiu por um corte de 0,25 ponto percentual nos juros, fixando-os em 14,5% anuais.

O Copom optou por não sinalizar os próximos passos da trajetória dos juros, afirmando que acompanha de perto o conflito e as potenciais repercussões de sua extensão sobre a inflação.

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"A manutenção de incertezas sobre a política econômica dos Estados Unidos também contribuiu para esse quadro", esclareceu o Banco Central.

"O Comitê reitera sua postura de serenidade e prudência na gestão da política monetária, buscando que as futuras decisões no ajuste da taxa básica de juros reflitam novas informações que proporcionem maior clareza sobre a intensidade e a duração dos conflitos no Oriente Médio, bem como seus impactos diretos e indiretos nos preços ao longo do tempo", registra o documento.

O colegiado avalia a possibilidade de efeitos mais prolongados nas cadeias de produção e distribuição, além de potenciais impactos secundários decorrentes de restrições no fornecimento de petróleo e seus derivados.

O embate entre os Estados Unidos e o Irã tem afetado a navegação no Estreito de Ormuz, uma rota crucial por onde passa até 20% do petróleo mundial e uma parcela significativa da produção de fertilizantes.

"Esse panorama exige prudência por parte das economias emergentes, inseridas em um ambiente de crescente volatilidade nos preços de ativos e commodities", aponta o Banco Central.

Projeções

Previamente ao recrudescimento do conflito, a previsão majoritária indicava uma redução mais expressiva da Selic com o passar do tempo. Contudo, o Copom agora adverte sobre um "descolamento adicional das expectativas de inflação para prazos mais estendidos, especialmente para o ano de 2028".

Conforme o mais recente Boletim Focus, a projeção do mercado financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o indicador oficial da inflação brasileira, é de 4,89% para o ano corrente. Para 2027, a estimativa inflacionária se mantém em 4%. Já para 2028, a expectativa registrou um aumento nas últimas duas semanas, alcançando 3,64%.

A autoridade monetária sublinhou que o esforço para reconduzir a inflação ao patamar desejado é consideravelmente mais oneroso quando as expectativas do mercado se desprendem da meta, o que justifica a persistência de uma política restritiva para a Selic.

O próprio modelo de referência do Banco Central passou a indicar uma elevação de 4,6% para o IPCA em 2026.

A taxa básica de juros funciona como balizador para as demais taxas econômicas e representa a ferramenta primordial do Banco Central para assegurar o controle inflacionário.

Estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), a meta de inflação é de 3%, com uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Isso significa que o limite inferior é de 1,5%, e o superior, de 4,5%.

Entre junho de 2025 e março deste ano, a Selic permaneceu em 15% anuais, o patamar mais elevado em quase duas décadas. O Copom retomou o corte dos juros na reunião de março, em um contexto de desaceleração da inflação. Contudo, o conflito no Oriente Médio, que resultou na elevação dos preços de combustíveis e alimentos, impõe desafios à atuação do comitê.

Mesmo assim, o colegiado avaliou que os acontecimentos recentes não seriam um impedimento para a continuidade do ciclo de cortes.

"O Comitê considerou oportuno prosseguir com o ciclo de ajustes da política monetária, uma vez que o período estendido de manutenção da taxa básica de juros em nível restritivo forneceu indícios da efetividade da política monetária na desaceleração da atividade econômica. Isso criou condições para que modificações no ritmo e na amplitude desse ajuste sejam viáveis, à luz de novas informações, visando garantir um patamar compatível com a convergência da inflação à meta", conclui a ata.

FONTE/CRÉDITOS: Andreia Verdélio – Repórter da Agência Brasil

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