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Quinta-feira, 30 de Abril 2026

Cidades

Davi Alcolumbre divide votação do PL da Dosimetria, e governo acusa manobra

Segundo o presidente do Senado, a medida comprometeria alterações no PL antifacção, que havia estendido o prazo para progressão de regime de cumprimento de penas.

Sou do RN
Por Sou do RN
Davi Alcolumbre divide votação do PL da Dosimetria, e governo acusa manobra
© Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil/Arquivo
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O senador Davi Alcolumbre (União-AP), que preside o Congresso Nacional, optou por desmembrar a votação do veto referente ao Projeto de Lei (PL) da Dosimetria. A decisão envolveu a exclusão de um segmento que visava diminuir o período para a progressão de regime de sentenciados. Conforme Alcolumbre, essa parte específica entraria em conflito com uma modificação anterior no PL antifacção, que, por sua vez, havia ampliado o tempo necessário para a progressão de penas.

O Executivo, contudo, contesta a medida de Alcolumbre, alegando que ela carece de respaldo jurídico e de qualquer precedente, uma vez que um veto integral não poderia ser fracionado. Nesta quinta-feira (30), o Parlamento prossegue com a análise do PL 2.162 de 2023, uma proposta que prevê a redução das penas para indivíduos condenados por tentativa de golpe de Estado, em conexão com os eventos de 8 de janeiro de 2023.

O presidente do Senado fundamentou a remoção dos incisos 4 a 10 do artigo 1º do PL, que altera o artigo 112 da Lei de Execução Penal (Lei nº 7.210 de 1984).

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Alcolumbre declarou que “o restabelecimento desses dispositivos iria contra as intenções manifestadas pelo Congresso, tanto no PL da Dosimetria, que visava não debater o mérito dessas normas, quanto no PL Antifacção, cujo objetivo era endurecer os critérios de progressão do regime de cumprimento de penas para os casos ali previstos”.

A anulação do veto presidencial poderia favorecer o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros indivíduos implicados no processo da suposta trama golpista, resultando na diminuição do período de encarceramento para aqueles sentenciados por tentativas de subverter a ordem democrática.

A sessão programada para hoje foi agendada com um único item em sua pauta, priorizando a análise do veto à Dosimetria em detrimento de mais de cinquenta outros vetos que aguardam deliberação.

Visto que o PL da Dosimetria propunha a redução do tempo para a progressão de penas, a implementação dessa medida traria vantagens a criminosos comuns, conforme advertido por especialistas ouvidos pela Agência Brasil.

O senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), líder do governo no Congresso, sustentou que não há precedente para a divisão de um veto integral e que o estágio de elaboração do projeto legislativo já foi concluído.

O senador amapaense afirmou: “Após o veto do presidente da República, é inviável proceder ao fracionamento de qualquer matéria, pois não se trata mais da etapa de elaboração do processo legislativo. Esta é a fase em que o Congresso Nacional decide pela concordância ou não com o veto do presidente da República”.

A liderança governista apresentou uma questão de ordem contestando o fracionamento, mas o pedido foi negado pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre.

Debate

O deputado Pedro Uczai (PT-SC), líder do governo na Câmara, argumentou que o Projeto de Lei da Dosimetria infringe a Constituição.

Ele declarou: “A democracia brasileira sofreu um ataque por uma organização político-militar que tentou quebrar a normalidade constitucional, e a diminuição pontual da sanção penal para esses eventos expõe o Estado Democrático de Direito a riscos diante de futuras investidas”.

Em contrapartida, a deputada Bia Kicis (PL-DF), representante do Partido Liberal, defendeu a medida de Alcolumbre como essencial para evitar que o PL da Dosimetria invalide o acréscimo no tempo de progressão de penas.

Kicis afirmou: “Com isso, impedimos que o PL da dosimetria gere consequências imprevistas, nunca intencionadas pelo legislador. Tais efeitos seriam indesejados e inconsistentes com o arcabouço legal que acabamos de fortalecer”.

Razão do veto

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva optou por vetar o denominado PL da Dosimetria, justificando que a proposta é inconstitucional e contrária ao interesse público, uma vez que diminuiria as sanções para crimes praticados contra a democracia.

O Palácio do Planalto argumentou que “o PL teria o potencial de elevar a ocorrência de delitos contra a ordem democrática e representaria um retrocesso no processo histórico de redemocratização que deu origem à Nova República”.

Entenda

O PL da Dosimetria estabelece que, quando os crimes de tentativa de abolir o Estado Democrático de Direito e de golpe de Estado são cometidos no mesmo cenário, a punição aplicada será a mais severa entre elas, em vez da acumulação das duas penas.

O cerne do projeto reside na alteração do método de cálculo das penas, ajustando “a pena mínima e a pena máxima de cada tipo penal, além da metodologia geral de cômputo das sanções”.

Essas modificações poderiam favorecer indivíduos sentenciados pelos eventos de 8 de janeiro, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro, e militares como Almir Garnier, ex-comandante da Marinha; Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa; Walter Braga Netto, ex-ministro da Casa Civil; e Augusto Heleno, ex-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI).

FONTE/CRÉDITOS: Lucas Pordeus León - Repórter da Agência Brasil

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