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Quarta-feira, 29 de Abril 2026

Economia

Guerra eleva IGP-M a 2,73% em abril, maior avanço desde maio de 2021

Especialista do Ibre aponta que conflito geopolítico no Estreito de Ormuz impactou diretamente todos os índices.

Sou do RN
Por Sou do RN
Guerra eleva IGP-M a 2,73% em abril, maior avanço desde maio de 2021
© Fernando Frazão/Agência Brasil/Arquivo
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Os desdobramentos da guerra no Oriente Médio afetaram significativamente o orçamento de consumidores e produtores brasileiros. Como resultado, o Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), popularmente conhecido como "inflação do aluguel", registrou uma alta de 2,73% em abril. Este é o maior aumento mensal observado desde maio de 2021, quando o índice atingiu 4,10%.

Em março, o IGP-M havia registrado 0,52%, e em abril do ano anterior, 0,24%. Com o resultado de abril, o acumulado em 12 meses chegou a 0,61%, encerrando um período de cinco meses consecutivos de deflação (inflação negativa).

Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (29) pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), vinculado à Fundação Getulio Vargas (FGV).

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O economista do Ibre, Matheus Dias, destacou que "todos os índices registraram influências diretas do conflito geopolítico na região do Estreito de Ormuz".

"Nos preços ao produtor, o grupo de matérias-primas brutas avançou quase 6%, em decorrência do choque provocado pela guerra. Além disso, observam-se repasses mais relevantes em produtos da cadeia petroquímica, como sacos ou sacolas plásticas para embalagem, itens de grande importância no varejo", explicou Dias.

O economista também ressaltou que os preços ao consumidor "refletem de forma significativa o impacto dos combustíveis".

"Com destaque para a gasolina, que subiu, em média, 6,3% em abril, e para o diesel, cuja alta foi de 14,9%", detalhou.

A elevação nos preços dos combustíveis não apenas impacta o custo do transporte, mas também se propaga para outros setores da economia, como o de alimentos, devido ao aumento do custo do frete. O óleo diesel, em particular, é o principal combustível utilizado pelos caminhões.

Guerra no Oriente Médio

O conflito na região do Oriente Médio iniciou-se em 28 de fevereiro, após ataques de Estados Unidos e Israel ao Irã. A área em questão abriga importantes países produtores de petróleo e o estratégico Estreito de Ormuz, uma via marítima crucial que conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã, por onde transita cerca de 20% da produção global de petróleo e gás.

Uma das reações do Irã tem sido o bloqueio do estreito, localizado ao sul do país. Essa ação tem gerado perturbações na logística da indústria petrolífera, resultando em menor oferta do produto e, consequentemente, em elevação dos preços no mercado internacional.

Petróleo e seus derivados, como gasolina e óleo diesel, são considerados commodities, ou seja, mercadorias cujos preços são definidos no mercado internacional. Isso explica por que suas cotações sobem mesmo em países que são produtores, como o Brasil.

O governo brasileiro tem implementado medidas para tentar conter a escalada nos preços dos derivados de petróleo, incluindo isenções fiscais e subsídios para produtores e importadores.

Componentes do IGP-M

A FGV considera três componentes principais para o cálculo do IGP-M. O mais influente é o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que reflete a inflação para os produtores e representa 60% do IGP-M total.

Em abril, o IPA apresentou uma elevação de 3,49%, o maior índice desde maio de 2021, quando alcançou 5,23%.

Outro componente relevante é o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que contribui com 30% para o indicador. Em abril, o IPC registrou um aumento de 0,94%. As principais pressões de alta nos preços para as famílias em abril foram:

- Gasolina: 6,29%

- Leite longa vida: 9,20%

- Tomate: 13,44%

- Óleo diesel: 14,93%

- Tarifa de eletricidade residencial: 0,80%

O grupo referente ao transporte, que reflete diretamente o aumento dos combustíveis, apresentou uma expansão média de preços de 2,26%.

O terceiro componente avaliado pela FGV é o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), que teve uma alta de 1,04% no mês.

Inflação do aluguel

O IGP-M é popularmente chamado de "inflação do aluguel" porque seu acumulado em 12 meses é frequentemente utilizado como base para o reajuste anual de contratos de aluguel de imóveis. Além disso, o índice serve para ajustar o valor de algumas tarifas públicas e serviços essenciais.

A FGV realiza a coleta de preços em cidades como Belo Horizonte, Brasília, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, São Paulo e Salvador. O período de apuração do IGP-M para abril abrangeu de 21 de março a 20 de abril.

FONTE/CRÉDITOS: Bruno de Freitas Moura - Repórter da Agência Brasil

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