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Quarta-feira, 06 de Maio 2026

Saúde

Novas diretrizes fortalecem a vigilância do câncer ocupacional

A revisão incorpora progressos científicos e expande o suporte aos profissionais do SUS na detecção e acompanhamento de riscos laborais.

Sou do RN
Por Sou do RN
Novas diretrizes fortalecem a vigilância do câncer ocupacional
© Tomaz Silva/Agência Brasil
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O Instituto Nacional de Câncer (Inca), órgão ligado ao Ministério da Saúde, apresentou na última terça-feira (5) a edição 2026 das Diretrizes para a Vigilância do Câncer Relacionado ao Trabalho. O lançamento ocorreu durante o Seminário Nacional sobre Experiências Bem-sucedidas na Estruturação da Vigilância do Câncer Relacionado ao Trabalho no Brasil, sediado na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

Publicadas pela primeira vez em 2012, as orientações foram revisadas para integrar os mais recentes progressos científicos e fortalecer o suporte aos profissionais do Sistema Único de Saúde (SUS) na detecção e acompanhamento dos riscos cancerígenos presentes nos locais de trabalho.

Em declaração à Agência Brasil, a epidemiologista Ubirani Otero, que atua como gerente substituta da Área Técnica Ambiente, Trabalho e Câncer do Inca (Atatc), detalhou que a concepção da nova edição das diretrizes considerou a lista nacional de enfermidades laborais, igualmente atualizada no ano anterior.

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“Realizamos uma revisão sistemática completa para esta nova versão das diretrizes, visto que, desde 2012, diversos outros agentes químicos, físicos e biológicos foram reconhecidos como carcinogênicos. Portanto, a lista exigia uma atualização”, afirmou Otero.

Enquanto a edição prévia considerava 19 tipos de câncer de origem ocupacional, a lista atual expandiu-se para incluir 50 variedades da doença, categorizadas conforme os agentes e fatores de risco presentes no ambiente de trabalho.

Entre as inclusões notáveis, que não constavam na versão anterior, estão a profissão de bombeiro e o trabalho em período noturno.

A Dra. Ubirani Otero explicou que o trabalho noturno possui ligação com o desenvolvimento de cânceres de mama, retal e de próstata, justificando a necessidade de revisão da lista.

Aplicações práticas

A versão mais recente das diretrizes visa auxiliar a prática diária dos profissionais de saúde, permitindo-lhes identificar os tipos de câncer aos quais os trabalhadores foram expostos, utilizando o histórico ocupacional (ou anamnese ocupacional) como ferramenta essencial para a posterior notificação dos casos.

“Trata-se de um instrumento fundamental para ser empregado na rotina desses especialistas”, esclareceu Ubirani Otero.

O objetivo foi criar uma edição mais concisa em relação à primeira, que apresentava dez capítulos.

“Esta segunda versão possui oito capítulos. É mais compacta, direta, e incorpora exemplos práticos e casos clínicos que permitem ao profissional compreender e aplicar o processo de recordatório”, detalhou Ubirani Otero.

A meta foi desenvolver uma versão mais funcional, capaz de aprimorar o apoio aos profissionais de saúde e, consequentemente, fortalecer a vigilância sobre os casos de câncer de origem laboral.

A epidemiologista expressa a convicção de que esta atualização das diretrizes pode contribuir, inclusive, para a formulação de políticas públicas eficazes.

A identificação de um tipo de câncer prevalente em uma localidade específica pode impulsionar uma investigação ativa, visando determinar a quais agentes os trabalhadores afetados estiveram expostos ao longo de sua trajetória profissional.

“Assim, é possível constatar que houve exposição à sílica, ao amianto, ou que trabalharam por muitos anos em uma ocupação que os expunha a esses fatores de risco”, pontuou a especialista.

Mesmo que o trabalhador seja fumante – sendo o tabagismo um dos principais causadores de câncer de pulmão – a exposição a outros agentes pode elevar consideravelmente o risco.

“É possível, mesmo em casos de tabagismo, identificar a presença de um fator sinérgico [uma interação entre dois ou mais agentes]”, confirmou Ubirani Otero.

Diante das notificações e do aparecimento de novos casos, os profissionais de saúde e as equipes de vigilância podem investigar as atividades predominantes em sua área de atuação e implementar ações preventivas para evitar a ocorrência de futuras enfermidades, salientou Otero.

“O propósito é que os profissionais de saúde consigam localizar as indústrias e ocupações que contribuem para o adoecimento por câncer entre os trabalhadores, e que possam desenvolver e aplicar medidas preventivas”, concluiu.

No decorrer do seminário, estados e municípios que já haviam recebido capacitação do Inca apresentaram as notificações realizadas com base nas diretrizes anteriores. A médica Ubirani Otero expressou confiança de que a versão atualizada simplificará significativamente o trabalho dessas equipes.

Progresso e prevenção

As diretrizes recém-lançadas incorporam os mais recentes avanços científicos. A edição 2026 do Inca alinha-se aos critérios da Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC), órgão ligado à Organização Mundial da Saúde (OMS).

A epidemiologista classificou como um “progresso notável” a ampliação de 19 para 50 tipos de câncer contemplados nas novas diretrizes.

“Desde a criação de nossa área, em 2004, alcançamos inúmeros progressos para que os casos de câncer ocupacional deixem de ser invisíveis, obtenham o devido reconhecimento e para que medidas de prevenção e vigilância sejam implementadas. Nosso objetivo é evitar essas ocorrências, pois o câncer relacionado ao trabalho é completamente prevenível”, defendeu Ubirani Otero.

Além dos cânceres de mama, ovário, próstata, colorretal e fígado, uma vasta gama de outros tipos de câncer está associada a atividades laborais.

“Incluem-se os cânceres hematológicos, como linfomas, leucemias e mielomas, bem como o câncer de bexiga, o de pulmão e o câncer de pele, este último de grande relevância por corresponder a 30% de todos os diagnósticos de câncer no Brasil”, pontuou Ubirani Otero.

O câncer de pele demonstra forte correlação com o ambiente de trabalho, uma vez que muitos profissionais atuam sob exposição solar intensa, como ambulantes, trabalhadores da construção civil, agentes de trânsito, carteiros, pescadores e agricultores, conforme ressaltado pela médica.

Ubirani Otero destacou que, ao aprofundar nas especificidades dos tipos de câncer, a lista tende a se expandir. Por exemplo, no caso do câncer da cavidade oral, são identificados subtipos como câncer de língua, de boca e de laringe.

Portanto, quanto mais detalhada for a lista das novas diretrizes, especificando cada tipo de câncer e as ocupações com maior risco de desenvolvimento, maior será a eficácia das ações de prevenção e controle.

FONTE/CRÉDITOS: Alana Gandra - Repórter da Agência Brasil

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