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Terça-feira, 16 de Junho 2026
Sabesp demite empregados após vazamento de gás no centro de São Paulo

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Sabesp demite empregados após vazamento de gás no centro de São Paulo

Companhia institui diretoria de segurança operacional para prevenir acidentes.

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A Sabesp dispensou dois colaboradores e suspendeu outros sete, como resultado de uma investigação sobre um incidente de vazamento de gás na República, região central de São Paulo, ocorrido em 4 de junho.

Adicionalmente, a companhia informou, na segunda-feira (15), a instauração da Diretoria de Segurança Operacional, a fusão dos setores de Engenharia e Operações, e a separação da área de Clientes e Tecnologia em duas diretorias autônomas.

Em comunicado oficial, a Sabesp declarou que, no âmbito de seu programa de “tolerância zero” a ocorrências em canteiros de obras, divulgou no início de junho uma série de iniciativas para fortalecer os protocolos de engenharia e a supervisão das construções, visando aprimorar a segurança e reduzir os transtornos causados pelas intervenções nas localidades onde atua.

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O plano de ação da empresa se estrutura em três eixos principais:

  • normas de engenharia e segurança;
  • aprimoramento da vigilância em todos os locais de trabalho;
  • expansão do programa de formação, qualificação e certificação dos funcionários.

A companhia também informou que planeja triplicar o efetivo de fiscais em campo, passando de 200 para 600 profissionais, além de intensificar o uso de recursos tecnológicos para o acompanhamento das obras.

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Incidente no Jaguaré

No mês anterior, um grave incidente resultou na morte de duas pessoas e ferimentos em outras duas na Comunidade Nossa Senhora das Virtudes II, localizada no bairro do Jaguaré, na zona oeste de São Paulo. Esse evento também estava relacionado a uma obra sob responsabilidade da Sabesp.

Residentes da área reportaram ter percebido um intenso odor de gás em suas residências aproximadamente três horas antes da explosão, que ocasionou a interdição inicial de 46 imóveis.

O Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo (Seesp) emitiu, à época, uma nota pública expressando pesar e condenando o que chamou de desmonte técnico do setor de saneamento. Conforme a entidade, é fundamental uma investigação minuciosa e uma “revisão imediata das diretrizes de gestão que comprometem a segurança dos empregados, a solidez das operações e o bem-estar da população”.

Em seu comunicado, o sindicato argumenta que “o ocorrido evidencia um processo alarmante de desmantelamento técnico e operacional que tem afetado a Sabesp nos últimos anos, caracterizado pela privatização, pela diminuição acelerada do corpo funcional e pela saída de profissionais com vasta experiência, precisamente aqueles encarregados de transmitir o conhecimento construído ao longo de décadas”.

Contexto da privatização

A privatização da Sabesp, a maior empresa de saneamento do Brasil, foi finalizada em 23 de julho de 2024, durante a gestão estadual vigente. Esse processo prolongado foi marcado por solicitações de Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) e denúncias de desmonte por parte das entidades representativas dos trabalhadores.

O saneamento básico, conforme sublinhado pelo sindicato dos engenheiros, constitui uma atividade de alta complexidade, cuja execução não se apoia apenas em equipamentos, mas primordialmente em uma força de trabalho com elevada qualificação.

“Ao focar unicamente em métricas financeiras de curto prazo, com a redução de pessoal e a substituição de profissionais experientes por arranjos terceirizados e fragilizados, coloca-se em risco esse valioso patrimônio técnico, essencial para a segurança”, enfatizou o Seesp.

O Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente do Estado de São Paulo (Sintaema), que teve participação ativa nas audiências públicas que precederam a venda, considerou, na época, que a diminuição do controle estatal seria um dos elementos cruciais, resultando em menor influência do governo e de suas pastas nas deliberações estratégicas.

O Sintaema havia alertado sobre as dispensas de funcionários desde a privatização da Sabesp e, por conseguinte, sobre o risco de uma elevação no número de acidentes devido à redução das equipes de manutenção e de pronto atendimento.

FONTE/CRÉDITOS: Camila Boehm - Repórter da Agência Brasil
FONTE/CRÉDITOS (IMAGEM DE CAPA): © Rovena Rosa/Agência Brasil

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