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Quarta-feira, 29 de Abril 2026

Economia

Setor produtivo exige reduções mais expressivas da Selic

Representantes da indústria, do comércio e de sindicatos argumentam que a taxa de juros, ainda em patamar elevado, sufoca a atividade econômica.

Sou do RN
Por Sou do RN
Setor produtivo exige reduções mais expressivas da Selic
© Marcello Casal Jr/Agência Brasil/Arquivo
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A recente diminuição de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros, divulgada pelo Comitê de Política Monetária (Copom), não satisfez as entidades do setor produtivo e os representantes sindicais, os quais alertam para as consequências adversas sobre os investimentos, o consumo e a renda.

Embora a Selic tenha sido ajustada de 14,75% para 14,50% anuais, a percepção dessas organizações é que o patamar dos juros permanece alto, exercendo pressão contínua sobre a economia nacional.

Indústria

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) considerou a redução insuficiente, afirmando que ela mantém o custo do crédito em um nível proibitivo. Segundo a entidade, tal cenário prejudica os investimentos e a capacidade competitiva do setor produtivo.

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“O custo do capital permanece excessivamente alto, impedindo a concretização de projetos e investimentos essenciais para impulsionar a competitividade da indústria”, declarou Ricardo Alban, presidente da CNI.

A CNI também ressaltou o agravamento da situação financeira de empresas e consumidores. “O endividamento de companhias e famílias atinge novos recordes a cada mês, comprometendo a solidez econômica do país”, acrescentou.

Comércio

A Associação Paulista de Supermercados (APAS) igualmente manifestou a opinião de que o Banco Central deveria ter implementado um corte mais substancial na taxa de juros.

“Desde o encontro anterior, o Banco Central já possuía margem para intensificar o relaxamento da política monetária”, observou Felipe Queiroz, economista-chefe da APAS.

Queiroz argumentou que a Selic no nível atual prejudica a atividade econômica. “É visível o crescente número de empresas em recuperação judicial, o aumento do endividamento familiar e a elevação dos custos de serviço da dívida”, explicou.

A APAS igualmente enfatizou o impacto dos juros sobre os investimentos. “Existe um forte incentivo ao capital especulativo, em detrimento do desenvolvimento do setor produtivo”, ponderou.

Centrais sindicais

A Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro da Central Única dos Trabalhadores (Contraf-CUT) criticou a lentidão na redução da Selic, destacando que a política monetária afeta diretamente a capacidade de compra da população.

“Um corte de 0,25% é insignificante. O patamar de endividamento das famílias atingiu proporções alarmantes”, declarou Juvandia Moreira, presidenta da Contraf-CUT.

Moreira salientou que a taxa básica de juros reverbera por todo o sistema financeiro. “Com a elevação da Selic, os bancos encarecem o crédito. Quando ela diminui, o crédito se torna mais acessível, contudo, a atual redução ainda é insuficiente”, detalhou.

A Força Sindical, por sua vez, também considerou a medida inadequada e sublinhou os efeitos prejudiciais sobre a economia.

“A diminuição foi modesta e perpetua os juros em um nível excessivamente alto”, declarou a Força Sindical em comunicado.

Conforme a central sindical, a estratégia de juros elevados impacta diretamente o desenvolvimento nacional. “Os juros inibem investimentos, desaceleram a produção e põem em risco a criação de postos de trabalho e a renda”, enfatizou.

A Força Sindical também associou a conjuntura ao endividamento dos lares. “O elevado patamar de endividamento tem relação direta com o custo proibitivo do crédito”, finalizou.

Pressão por novos cortes

Embora representem segmentos distintos, as organizações concordam que existe margem para uma aceleração na redução da taxa básica de juros.

O consenso entre a indústria, o comércio e os representantes dos trabalhadores reside na análise de que o patamar atual da Selic ainda impõe barreiras significativas ao crescimento econômico, à concessão de crédito e ao consumo no Brasil.

FONTE/CRÉDITOS: Wellton Máximo - Repórter da Agência Brasil

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