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Sábado, 06 de Junho 2026
SUS ampliará proteção contra doença pneumocócica com nova vacina

Saúde

SUS ampliará proteção contra doença pneumocócica com nova vacina

O pneumococo, causador de até metade dos casos de meningite bacteriana em crianças, terá sua prevenção reforçada com o novo imunizante.

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O Sistema Único de Saúde (SUS) passará a disponibilizar, a partir de junho, um imunizante mais abrangente para a prevenção da doença pneumocócica. A vacina pneumocócica conjugada 20-valente (VPC20 ou Pneumo 20) substituirá a versão 10-valente, duplicando o número de sorotipos combatidos.

O Ministério da Saúde divulgou, nesta quarta-feira (27), um guia técnico preliminar com diretrizes para os profissionais de saúde sobre essa transição. A aplicação da vacina pelos municípios poderá ser iniciada assim que os imunizantes forem entregues.

O que é a doença pneumocócica?

A doença pneumocócica é uma infecção provocada pela bactéria Streptococcus pneumoniae, conhecida como pneumococo. Ela pode manifestar-se em quadros leves, como inflamação no ouvido ou sinusite, ou em condições mais graves, incluindo pneumonia bacteriana, meningite e sepse.

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Estima-se que o pneumococo seja o agente causador de até 50% dos casos de meningite bacteriana em crianças, com uma taxa de mortalidade que ronda os 30% nesses quadros. Além das crianças pequenas, indivíduos idosos e pessoas com comorbidades ou imunossupressão também apresentam maior vulnerabilidade.

Histórico e impacto da vacinação

A vacinação contra a doença, utilizando a VPC10, foi incorporada ao calendário básico infantil em 2010. Desde então, observou-se uma redução de 60% nos casos de doença meningocócica provocada pelos 10 sorotipos abrangidos pela vacina em crianças de até dois anos, e uma queda de 65% nos casos de meningite pneumocócica na mesma faixa etária.

Contudo, nos últimos anos, houve um aumento nos registros. A média anual de casos de meningite pneumocócica em crianças de até 5 anos, que era de 164 entre 2013 e 2019, subiu para 211,3 entre 2022 e 2024.

O fenômeno do "replacement" e a necessidade da VPC20

Flávia Bravo, diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações, esclarece que esse fenômeno é um reflexo de uma alteração epidemiológica, decorrente da própria eficácia da vacinação.

"A introdução da vacina 10-valente foi crucial para a diminuição desses dez tipos, resultando em uma queda significativa nas doenças graves. No entanto, o pneumococo possui uma particularidade que denominamos 'replacement': ao controlar um tipo e reduzir sua circulação, outro tipo pode começar a ocupar esse espaço", detalha Flávia Bravo.

Dados da vigilância do Ministério da Saúde revelam que quase 40% dos casos graves, com amostras coletadas entre 2018 e 2023, foram ocasionados por apenas dois tipos da bactéria que não eram prevenidos pela VPC10, mas que estão incluídos na formulação da VPC20.

"Adicionalmente, em crianças com menos de 1 ano, aproximadamente 11% dos casos de meningite meningocócica são causados por outros tipos adicionais da vacina 20-valente. Isso indica a possibilidade de retomarmos a redução da curva de incidência, pois estaremos oferecendo proteção exatamente contra os sorotipos que predominam atualmente", complementa a especialista.

Mecanismo de ação e públicos específicos

As vacinas pneumocócicas conjugadas, como a VPC10 e a VPC20, têm a capacidade de impedir que o pneumococo se estabeleça na nasofaringe de indivíduos vacinados. Dessa forma, além de prevenir o desenvolvimento da doença, a vacina também dificulta a transmissão, conferindo proteção indireta a pessoas não imunizadas.

O Programa Nacional de Imunizações (PNI) já disponibiliza outras vacinas mais abrangentes contra a doença pneumocócica, como a VPC13 e a VPP23, mas estas são destinadas apenas a públicos específicos, que possuem condições de saúde que elevam a vulnerabilidade às formas graves da enfermidade. Esses imunizantes também serão substituídos pela VPC20 após o término dos estoques.

Entre os grupos de alto risco que devem receber a vacina estão: pessoas vivendo com HIV/aids; pacientes oncológicos; transplantados de órgãos sólidos ou medula; indivíduos imunodeficientes; pessoas com nefropatias, pneumopatias, cardiopatias e hepatopatias crônicas; asmáticos graves; diabéticos; pessoas com síndrome de Down e bebês prematuros.

Esquema vacinal e contraindicações

O calendário básico de vacinação recomenda que os bebês recebam duas doses da vacina pneumocócica, aos 2 e aos 4 meses de idade, seguidas por uma dose de reforço aos 12 meses. Crianças com menos de 5 anos que não foram vacinadas na idade correta devem regularizar sua situação o mais rápido possível.

Durante o período de transição da VPC10 para a VPC20, as crianças receberão a vacina 20-valente na primeira dose e no reforço, e a 10-valente na segunda dose. Aquelas que já tomaram a primeira dose da vacina 10-valente serão imunizadas com a 20-valente na segunda dose e no reforço. Uma dose de reforço da VPC20 também será administrada em crianças com menos de 5 anos que completaram apenas o esquema básico de duas doses com a VPC10.

A vacina é contraindicada apenas para indivíduos com alergia grave a algum de seus componentes ou que tenham manifestado reação alérgica severa em doses anteriores. Recomenda-se, ainda, que pessoas com febre aguardem a melhora do quadro antes de se imunizar.

FONTE/CRÉDITOS: Tâmara Freire - Repórter da Agência Brasil
FONTE/CRÉDITOS (IMAGEM DE CAPA): © Tomaz Silva/Agência Brasil

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