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Quarta-feira, 10 de Junho 2026
Brasil não se curva, afirma Durigan ao defender soberania e Pix

Economia

Brasil não se curva, afirma Durigan ao defender soberania e Pix

Em reunião do Conselhão, ministro apoia fim da escala 6x1 e rigor na fiscalização de apostas. O Brasil não se curva a ninguém, diz Durigan ao defender soberania

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O ministro da Fazenda, Dario Durigan, reiterou a defesa da soberania nacional nesta quarta-feira (10).

"O Brasil não se curva a ninguém, e nós defendemos nossa política econômica globalmente", afirmou.

A declaração do ministro surge em um cenário de recentes anúncios dos Estados Unidos, que impuseram barreiras comerciais e elevaram tarifas sobre insumos e produtos manufaturados, afetando diretamente as exportações brasileiras.

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Nesse contexto, Durigan também indicou que o Pix — um modelo global de bancarização e inovação tecnológica — constitui um patrimônio estratégico que permanecerá sob a gestão rigorosa do Estado brasileiro, resguardado de interferências externas.

"Minha principal missão, ao lado do presidente Lula, é salvaguardar a soberania, especialmente no que tange ao nosso Pix", declarou.

As afirmações foram proferidas durante a abertura da 7ª Reunião Plenária do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável (CDESS), realizada no Palácio do Itamaraty. O tema central dos debates do Conselhão deste ano é "Da soberania nacional ao protagonismo global".

Reconhecimento internacional

Ao detalhar encontros recentes no Fundo Monetário Internacional (FMI), no Banco Mundial, no G20 e no G7, o ministro da Fazenda enfatizou que a comunidade global reconhece a proeminência do Brasil nos debates econômicos, ambientais e de transição energética, exigindo que o país seja tratado com paridade e deferência.

"O Brasil detém uma liderança mundial e não abrimos mão de ser tratados com respeito, assim como tratamos com respeito todas as nações, comunidades e culturas do planeta", asseverou.

Pautas sociais e trabalhistas

Durigan abordou ainda questões de grande relevância social e de segurança pública. Sobre a jornada de trabalho 6x1, ele salientou que a manutenção desse regime perpetua a desigualdade e sobrecarrega trabalhadores de menor renda, pessoas negras e mulheres com dupla jornada, enquanto os setores com escalas mais flexíveis (5x2) concentram os melhores salários e oportunidades de formação.

"Aqueles que já operam na escala 5x2 tendem a ter salários mais elevados, maior tempo e, frequentemente, oportunidades familiares para aprimorar seus estudos. Por outro lado, quem se encontra na escala 6x1 são os trabalhadores mais mal remunerados, incluindo trabalhadores negros e mulheres, que frequentemente acumulam suas funções profissionais com responsabilidades domésticas, resultando em sobrecarga", explicou.

No final de maio, a Câmara dos Deputados aprovou a proposta de emenda à Constituição (PEC) que visa eliminar a escala 6x1. O cronograma de tramitação da PEC será definido nesta semana no Senado. A proposta estabelece a obrigatoriedade de dois dias de descanso semanais, além da redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem prejuízo salarial.

Regulamentação e fiscalização de apostas online

O ministro comparou a abordagem dada às plataformas de apostas online em governos anteriores com a prática atual da gestão Lula. Segundo ele, antes, essas empresas "gozavam da mesma imunidade das igrejas". "Hoje, as casas de apostas pagam mais impostos do que a média dos setores empresariais e, atualmente, fornecem dados e estão sob rigorosa fiscalização", afirmou.

Durigan ressaltou que esse esforço já resultou na desativação de mais de 30 mil empresas ilegais e na proibição do uso de cartões de crédito para apostas, uma medida que visa proteger o orçamento das famílias.

Combate ao fluxo financeiro do crime organizado

O ministro anunciou uma colaboração estratégica com o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e com o governo norte-americano para combater o fluxo financeiro de facções criminosas.

A tática, implementada pela Receita Federal, Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e Polícia Federal, consistirá no congelamento dos ativos do crime organizado. "Acredito que o combate ao fluxo financeiro do crime organizado é a medida mais crucial para sufocar esse mal que continua a causar sérios prejuízos à nossa sociedade", concluiu.

Retomada do crescimento industrial

Em seu pronunciamento aos conselheiros, o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, apresentou um panorama sobre a reindustrialização do país.

O ministro elencou os resultados que têm impulsionado a economia brasileira, como o crescimento do salário médio e a menor taxa de informalidade na série histórica. Ele detalhou a queda do desemprego, que se consolidou em 5,6%, a taxa mais baixa da média histórica; o recorde de 103 milhões de brasileiros com emprego formal; e o rendimento médio mais elevado, atingindo um patamar entre R$ 3.370 e R$ 3.732.

"Esses indicadores sociais são alcançados porque a indústria retomou seu crescimento. Em 2024, com o lançamento da Nova Indústria Brasil, houve um avanço de 3,1%. No primeiro quadrimestre, já registramos um progresso de 1,7%. Consequentemente, geramos mais de 7,6 milhões de postos de trabalho formais no setor", enfatizou Elias Rosa.

FONTE/CRÉDITOS: Daniella Almeida - Repórter da Agência Brasil 
FONTE/CRÉDITOS (IMAGEM DE CAPA): © Marcelo Camargo/Agência Brasil

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