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Quinta-feira, 07 de Maio 2026

Educação

Desafios com a violência são relatados por 71,7% dos gestores escolares

Pesquisa em 105 escolas públicas aponta dificuldades de profissionais em temas como racismo e bullying.

Sou do RN
Por Sou do RN
Desafios com a violência são relatados por 71,7% dos gestores escolares
© Tânia Rêgo/Agência Brasil
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Aproximadamente sete em cada dez diretores de escolas públicas (correspondendo a 71,7%) admitem ter dificuldade em promover debates no contexto escolar sobre o combate a diversas formas de violência, incluindo bullying, racismo e capacitismo (discriminação contra pessoas com deficiência).

Este ponto se destaca como o principal obstáculo identificado por um estudo sobre o clima escolar, que ouviu 136 administradores de 105 unidades de ensino da rede pública, das quais 59 são municipais e 46 estaduais.

O estudo, cujos resultados foram divulgados na quarta-feira (6), é fruto de uma colaboração entre a Fundação Carlos Chagas (FCC), uma entidade sem fins lucrativos, e o Ministério da Educação (MEC).

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A pesquisa visa reunir dados que subsidiarão a elaboração do novo Guia de Clima Escolar Positivo para Equipes Gestoras, uma proposta do governo federal com lançamento previsto para esta quinta-feira (7) no canal do MEC no YouTube.

Ambiente contra violência

Segundo Adriano Moro, pesquisador do Departamento de Pesquisas Educacionais da FCC e coordenador do levantamento, o enfrentamento de situações violentas é um tema intrincado que demanda preparação, suporte adequado e estratégias cuidadosamente planejadas.

Ele aponta a naturalização da violência como uma das dificuldades mais notáveis.

“Por vezes, os adultos no ambiente escolar interpretam atos de agressão como meras ‘brincadeiras’. Essa percepção minimiza a seriedade dos incidentes e pode resultar em inação, justamente no momento em que os alunos mais necessitam de suporte e intervenção”, explicou ele em declaração à Agência Brasil.

Moro também ressalta que diversas instituições de ensino operam em cenários externos permeados pela violência. Adicionalmente, ele menciona a “dificuldade em engajar as famílias e a comunidade, o que sobrecarrega a escola, deixando-a com a responsabilidade de gerenciar esses problemas de forma isolada”.

Bullying

Adriano Moro também destaca que a utilização indiscriminada do termo bullying representa outro obstáculo.

“Trata-se de um fenômeno com características próprias, uma forma de violência séria que exige atenção. No entanto, quando não é devidamente qualificada, a agressão sofrida pode mascarar questões mais específicas, como racismo, capacitismo, xenofobia ou violência de gênero”, pontua.

Originário do inglês, o bullying descreve um tipo de violência, seja física ou psicológica, que ocorre de maneira recorrente, provocando prejuízos físicos, sociais e emocionais na vítima. Geralmente, um ou mais agressores empregam insultos, apelidos ofensivos e outras táticas de intimidação, humilhação, agressão ou discriminação.

Na visão do representante da FCC, um ambiente escolar positivo é um fator crucial no combate à violência, pois estabelece as condições para que a escola adote uma postura proativa, intencional e cooperativa, em vez de apenas reagir aos incidentes.

“Com a presença de confiança, respeito e um diálogo aberto entre alunos e adultos, torna-se mais simples identificar as questões, classificar as violências de forma adequada e atuar com maior responsabilidade e equidade”, enfatiza.

Mais constatações

Ao investigar a gestão do clima entre estudantes, educadores e famílias, o estudo revelou que:

  • 67,9% dos diretores consultados apontam dificuldades na aproximação entre a instituição de ensino, as famílias e a comunidade;
  • 64,1% mencionam obstáculos na edificação de relações interpessoais saudáveis entre os alunos;
  • 60,3% referem-se a entraves para fomentar o senso de pertencimento dos estudantes;
  • 60,3% admitem dificuldades na interação entre alunos e professores;
  • 49% assinalam desafios relacionados à promoção da sensação de segurança entre os estudantes.

Os responsáveis pelo estudo também investigaram como as unidades de ensino se organizam para alcançar um ambiente escolar favorável.

A pesquisa indica que mais da metade das escolas (54,8%) nunca efetuou um diagnóstico formal do clima escolar.

Para os pesquisadores, essa avaliação é uma “fase crucial para guiar políticas de convivência e aprendizado”.

Constatou-se, ademais, que mais de dois terços (67,6%) das instituições de ensino contam com uma equipe dedicada a iniciativas para aprimorar o clima escolar.

Nas 32,4% que não dispõem de tal equipe, as atividades são diretamente incumbência da administração.

Adriano Moro observa que muitos estabelecimentos de ensino enfrentam uma sobrecarga de trabalho para seus profissionais.

“A administração escolar frequentemente se depara com múltiplas urgências simultaneamente”, afirma. Consequentemente, as equipes tendem a focar mais na resolução de questões imediatas do que na prevenção planejada.

Clima e aprendizagem

O pesquisador descreve a conexão entre um clima escolar favorável e o rendimento pedagógico como “muito robusta”.

De acordo com Moro, o ambiente nas escolas afeta diretamente tanto o bem-estar dos indivíduos quanto a dinâmica de ensino e aprendizagem.

“É essencial que os estudantes se sintam acolhidos para que a aprendizagem ocorra com qualidade e equidade”, declara.

“Quando os alunos se sentem valorizados e não temem cometer erros, eles aprendem de forma mais eficaz e desenvolvem suas capacidades com maior segurança”, argumenta.

Grupo de trabalho

O levantamento da FCC coletou dados em escolas de dez estados brasileiros – Amazonas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Minas Gerais, Pará, Pernambuco, Rio de Janeiro, Sergipe e São Paulo – entre março e julho de 2025.

A divulgação do estudo da FCC e do MEC coincide com a semana em que o governo federal restabeleceu um grupo de trabalho (GT) com a finalidade de apoiar a formulação de políticas de enfrentamento ao bullying e ao preconceito no setor educacional.

Composto por setores técnicos do MEC, o GT possui um prazo inicial de 120 dias para entregar um relatório contendo suas conclusões e as propostas desenvolvidas.

FONTE/CRÉDITOS: Bruno de Freitas Moura - Repórter da Agência Brasil

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