Em resposta à recente classificação de grupos narcotraficantes brasileiros como terroristas pelos Estados Unidos (EUA), o embaixador Celso Amorim, assessor especial da Presidência da República, declarou que qualquer "pretexto para intervenção é inadmissível".
Durante sua participação no Fórum Internacional de Segurança, em Moscou, o representante do governo brasileiro sublinhou a importância da cooperação internacional no enfrentamento ao crime organizado, ressaltando que esta deve ser conduzida sem desrespeitar a soberania das nações envolvidas.
"O crime organizado representa um flagelo que deve ser combatido com veemência. A colaboração internacional é bem-vinda, sobretudo em áreas como a lavagem de dinheiro e o tráfico de armas. Contudo, qualquer tentativa de usar isso como pretexto para intervenção é inaceitável", afirmou o assessor especial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Na ocasião do discurso de abertura do Fórum Internacional, Amorim também levantou a questão da equiparação de narcotraficantes a terroristas.
"É imperativo combater o crime organizado com máxima energia e determinação. No entanto, equipará-lo ao terrorismo não contribui para a solução. A compreensão das motivações é fundamental para a eficácia no combate a todas as formas de criminalidade", pontuou o embaixador.
O governo do Brasil tem consistentemente rejeitado a associação entre narcotráfico e terrorismo, argumentando que tal equiparação pode servir de justificativa para intervenções estrangeiras.
Analistas especializados em relações internacionais, terrorismo e segurança pública alertam que a categorização de facções criminosas como terroristas pode, de fato, abrir portas para uma possível intervenção dos Estados Unidos no Brasil.
Precedentes da atuação dos EUA na América Latina
Ações como o bloqueio imposto a Cuba e a tentativa de invasão da Venezuela, culminando no sequestro do presidente Nicolás Maduro em janeiro, exemplificam estratégias dos Estados Unidos (EUA) que utilizam o combate ao terrorismo ou ao narcotráfico como justificativa.
Maduro foi alvo de acusações de liderar uma suposta organização narcotraficante, o que levou à alegação de que a Venezuela seria um "narcoestado", uma classificação amplamente contestada por especialistas.
Depois da detenção do chefe de Estado em Caracas, os EUA voltaram atrás na vinculação de Maduro ao alegado Cartel de Los Soles, cuja existência como facção criminosa é questionada por diversos especialistas.
Cuba é designada pelos EUA como um "país que apoia o terrorismo", embora essa designação seja amplamente rejeitada pela comunidade internacional por carência de evidências. No entanto, essa classificação serve como base para justificar o bloqueio econômico e energético imposto à ilha de aproximadamente 11 milhões de habitantes, gerando severos impactos sociais.

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