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Sexta-feira, 12 de Junho 2026
Estudo revela lacunas em políticas de combate ao trabalho infantil

Direitos Humanos

Estudo revela lacunas em políticas de combate ao trabalho infantil

Apesar dos esforços recentes, as estratégias governamentais se mostram inadequadas para enfrentar a realidade de 1,65 milhão de crianças e adolescentes explorados no Brasil.

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Uma pesquisa conduzida pelo Fórum Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil e Proteção a Adolescentes no Trabalho (FNPETI) identificou mais de 130 programas e ações federais direcionados a crianças e jovens. Contudo, mesmo com a reativação de diversas políticas nos últimos anos, essas medidas ainda são consideradas insuficientes para combater a persistência do trabalho infantil que afeta 1,65 milhão de menores no Brasil.

O documento, intitulado "Políticas Públicas Federais para Infâncias, Adolescências e Juventudes entre 2024 e 2025: Prevenção e Enfrentamento ao Trabalho Infantil e Promoção do Trabalho Protegido para Adolescentes", foi lançado nesta sexta-feira (12), em coincidência com o Dia Mundial e Nacional de Combate ao Trabalho Infantil. Ele apresenta um levantamento detalhado de dados orçamentários e uma análise aprofundada das políticas e programas identificados.

"O Brasil falhou em atingir a meta de erradicação das formas mais graves de trabalho infantil, conforme estipulado pelos ODS [Objetivos de Desenvolvimento Sustentável], o que evidencia nossa distância em assegurar a proteção plena de todas as crianças e adolescentes", afirmou Katerina Volcov, secretária-executiva do FNPETI, em comunicado. A meta 8.7 dos ODS previa a eliminação das piores formas de trabalho infantil até o ano de 2025.

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A análise do fórum revela que a simples existência de programas e diretrizes não assegura resultados tangíveis. A organização ressaltou que desafios como o financiamento inadequado, a execução orçamentária deficiente e a falta de coordenação e comunicação entre as instâncias federais permanecem como barreiras significativas para a eficácia das políticas públicas.

Katerina Volcov enfatiza que o combate a essa problemática deve ser uma prioridade constante do Estado brasileiro, destacando que 1,65 milhão de crianças e adolescentes têm seus direitos fundamentais violados. Conforme dados da PNAD Contínua 2024, divulgada pelo IBGE, o Brasil contabiliza 1,65 milhão de indivíduos entre 5 e 17 anos envolvidos em trabalho infantil, um acréscimo de 34 mil casos comparado ao ano anterior.

O levantamento também sublinhou a disparidade entre os investimentos realizados e a efetiva garantia dos direitos infantojuvenis.

"Apesar de crianças e adolescentes constituírem aproximadamente 24% da população brasileira, os recursos direcionados a este segmento correspondem a menos de 2,5% do PIB (Produto Interno Bruto - a soma das riquezas geradas no país), conforme um estudo do Ipea e do Unicef citado como base para a pesquisa", informou o fórum em seu comunicado.

Descontinuidade das políticas

O FNPETI destaca o exemplo das Ações Estratégicas de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil (AEPETI) como uma demonstração clara dos efeitos negativos da interrupção de programas governamentais. De acordo com a pesquisa, a dotação orçamentária para este programa foi omitida dos Projetos de Lei Orçamentária Anual no período de 2020 a 2024.

Ao ser reintroduzida no orçamento federal em 2024, a previsão de investimento era de R$ 3,6 milhões para todo o território nacional, o que se traduzia em aproximadamente R$ 2 por criança e adolescente anualmente. Em contrapartida, no ano de 2016, o montante investido havia chegado a R$ 83,9 milhões. Contudo, ao final de 2025, foi divulgada a alocação de R$ 79,2 milhões anuais para as AEPETI.

"As AEPETI desempenham um papel crucial na coordenação das redes de proteção em nível local. A interrupção do financiamento resulta na perda da capacidade dos municípios de identificar ocorrências, prestar acompanhamento às famílias e implementar medidas preventivas de maneira contínua", explicou Izabela Ramos, assessora técnica do FNPETI.

Para o FNPETI, os desafios futuros incluem assegurar a continuidade, o financiamento apropriado e a articulação intersetorial das políticas públicas destinadas à proteção integral de crianças e adolescentes. "Além de expandir os recursos, é fundamental garantir uma governança engajada, com total transparência e perenidade para as ações governamentais", finalizou Katerina Volcov.

FONTE/CRÉDITOS: Camila Boehm - Repórter da Agência Brasil
FONTE/CRÉDITOS (IMAGEM DE CAPA): © Valter Campanato/Agência Brasil

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