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Quarta-feira, 27 de Maio 2026
Advogado de defesa no caso Henry Borel retorna ao júri após infarto

Justiça

Advogado de defesa no caso Henry Borel retorna ao júri após infarto

O julgamento prossegue para o terceiro dia nesta quarta-feira, no 2º Tribunal do Júri, no centro do Rio.

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O advogado Fabiano Tadeu Lopes, principal defensor de Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Dr. Jairinho, confirmou seu retorno ao 2º Tribunal do Júri ainda esta semana. A decisão vem apesar de ter sofrido um infarto há apenas quatro dias, para prosseguir com o julgamento dos acusados pela morte de Henry Borel, ocorrida em março de 2021.

Anteriormente, o problema de saúde de Lopes havia sido utilizado pela defesa de Jairinho como justificativa para solicitar um novo adiamento do processo. A confirmação do retorno de Fabiano Lopes foi dada à Agência Brasil nesta quarta-feira (27) pelo também advogado de Dr. Jairinho, Rodrigo Faucz.

Para viabilizar sua volta, Fabiano Lopes assinou um termo de responsabilidade, uma espécie de “auto alta médica”, e planeja estar de volta ao tribunal na quinta-feira (28), contando com acompanhamento médico.

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Na segunda-feira (25), a juíza Elizabeth Machado Louro, que preside o Tribunal do Júri, havia sido notificada de que o advogado apresentava apenas 30% de sua capacidade cardiorrespiratória.

O andamento do julgamento

Jairo Souza Santos Júnior e sua ex-companheira, Monique Medeiros, são réus no processo que apura a morte do menino Henry Borel, de 4 anos, ocorrida em março de 2021.

Conforme investigações da Polícia Civil e o posicionamento do Ministério Público, a criança teria sido vítima de agressões por parte de Jairinho, enquanto Monique, sua mãe, é acusada de omissão. Naquele período, Jairinho ocupava o cargo de vereador no Rio de Janeiro, em seu quinto mandato.

O processo judicial atinge seu terceiro dia nesta quarta-feira. A sessão inaugural no Tribunal do Júri, na segunda-feira, representou a retomada após um adiamento anterior, em 23 de março, quando a equipe de defesa se retirou do júri sob alegação de não ter acesso adequado às provas.

Contudo, uma reviravolta marcou o início desta semana: antes mesmo da discussão de questões processuais, Dr. Jairinho solicitou à juíza Elizabeth Machado uma nova data para a análise do caso. Ele argumentou que o advogado hospitalizado era o líder da defesa e o mais apto a representá-lo perante o corpo de jurados. Em uma tática, Dr. Jairinho chegou a dispensar os outros advogados.

A magistrada classificou a ação como uma manobra protelatória, mas indicou que deferiria o pedido, já que o réu se encontrava sem defesa legalmente constituída. Entretanto, ao condicionar o adiamento à transferência de Jairinho para o presídio Bangu 1, conhecido pela severidade no tratamento de detentos, o réu reconsiderou sua intenção, restabeleceu sua equipe jurídica e o julgamento teve prosseguimento.

Depoimentos de delegados

O início do terceiro dia de julgamento está agendado para as 11h desta quarta-feira. O horário inicial previsto era 9h, mas a alteração ocorreu devido à extensão dos depoimentos da véspera, que se prolongaram até as 2 horas da madrugada de quarta-feira.

Na terça-feira (26), foram ouvidos os delegados Edson Henrique Damasceno, que era o titular da delegacia responsável pela investigação da morte de Henry Borel, e Ana Carolina Medeiros.

Durante seu testemunho, Damasceno declarou que a narrativa apresentada pelos réus, de que a criança faleceu após cair de uma cama, constituía uma “farsa previamente orquestrada”.

O delegado também explicou que mensagens recuperadas do aparelho celular da babá de Henry, Thayná de Oliveira Ferreira, foram cruciais para a polícia desvendar e confirmar que a genitora tinha conhecimento das agressões.

Composição e acusações no júri

Inicialmente, Jairinho e Monique compartilhavam o mesmo representante legal. Contudo, atualmente, cada um possui sua própria equipe de defesa. No total, 27 testemunhas foram listadas, tanto pela acusação quanto pela defesa. O veredito do júri será proferido por sete jurados, e a projeção inicial era de que o julgamento se estenderia por aproximadamente cinco dias.

Dr. Jairinho é alvo de acusações por seis crimes, incluindo homicídio qualificado por meio cruel que impediu a defesa da vítima, três atos de tortura contra a criança, fraude processual e coação no curso do processo, entre outros. Monique, por sua vez, enfrenta sete acusações, destacando-se homicídio qualificado por omissão e outros atos de omissão.

FONTE/CRÉDITOS: Bruno de Freitas Moura - Repórter da Agência Brasil
FONTE/CRÉDITOS (IMAGEM DE CAPA): © Tomaz Silva/Agência Brasil

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